Liderar também é sustentar desconfortos

Este ano de 2026 tem sido bastante desafiador na Manacá. As agências de comunicação e marketing vêm sendo obrigadas a se reinventar constantemente e, por aqui, não tem sido diferente. Aliás, acredito que vamos encerrar este ano de uma forma muito diferente daquela como começamos. Principalmente do ponto de vista de gestão de pessoas, que talvez tenha se tornado um dos nossos maiores desafios.

Existe uma parte da liderança que raramente aparece nas redes sociais ou nos discursos sobre gestão. É a parte das decisões difíceis. Conversas desconfortáveis, cobranças necessárias, limites que precisam ser estabelecidos e escolhas que, inevitavelmente, desagradam alguém.

Em certos momentos, centralizar e executar parece a decisão mais segura. E muitas vezes realmente é. Mas, com o tempo, isso também pode virar uma prisão para o crescimento da empresa e para o próprio líder. Foi assim que comecei a entender que liderar não é apenas motivar pessoas ou construir um ambiente agradável. Liderar também é proteger a capacidade de evolução do negócio, mesmo quando isso exige desconforto.

Talvez esse seja um dos maiores desafios da liderança madura: equilibrar empatia e responsabilidade sem cair nos extremos. Nem o gestor frio que enxerga apenas números, nem o líder permissivo que evita conflitos para preservar um clima leve enquanto a operação perde ritmo, clareza e eficiência.

Durante muito tempo, associei liderança à ideia de compreensão constante. Mas aprendi que existe uma diferença enorme entre ser humano e perder a firmeza. Quando a liderança evita decisões difíceis por receio de incomodar pessoas, os problemas não desaparecem. Eles apenas se espalham silenciosamente pela cultura, pelos processos e pela equipe.

Nos últimos meses, particularmente, tenho sido engolido pela operação. Meu contato com clientes aumentou, assim como a responsabilidade sobre decisões estratégicas e operacionais. E é curioso perceber como muitas dessas lições vêm justamente das lideranças mais experientes. Aqueles gestores “carecas” ou de cabelo branco, que já passaram por crises, erros, crescimento, cortes e pressão real. Normalmente são pessoas que falam menos, mas carregam uma clareza muito grande sobre responsabilidade.

Com eles, aprendi que ambiente saudável não significa ausência de cobrança. Significa previsibilidade, respeito, clareza e justiça. Pessoas precisam entender quais são os limites, quais comportamentos fortalecem a cultura e quais comprometem o futuro da operação.

Nenhuma decisão difícil é simples quando você enxerga pessoas além do crachá. Por outro lado, não existe crescimento sustentável quando o líder perde coragem de liderar, de ser incômodo quando necessário, de ajustar rotas antes que os problemas cresçam.

Outro dia, meu sócio, Bruno Piesco, comentou que eu negocio bem e que tenho facilidade no relacionamento com as pessoas. Isso me fez refletir sobre algo importante: gestão de pessoas passa muito menos por agradar todo mundo e muito mais por sustentar decisões coerentes, mesmo quando elas geram desconforto no curto prazo.

Porque, no fim, liderar talvez seja exatamente isso: proteger pessoas sem perder de vista a responsabilidade de fazer o negócio continuar evoluindo. Seguimos em frente, sempre!

Leonardo Oliveira
Sócio-fundador
Manacá Comunicação