Na última quinta-feira (28/05), a B3, em São Paulo (SP), recebeu um leilão estratégico para a infraestrutura rodoviária brasileira em 2026. O Consórcio 116 Sertões, formado por Nova Infra Invest, Mota-Engil e Galápagos/Infra I, venceu a concessão da Rota dos Sertões, projeto que envolve trechos estratégicos das BR-116 e BR-324 entre Bahia e Pernambuco.
Mais do que o resultado de uma disputa, o leilão ajuda a mostrar como o mercado brasileiro de infraestrutura entrou definitivamente em um novo ciclo: maior presença de capital privado, ampliação das concessões federais e aumento da demanda por execução operacional em larga escala.
O trecho concedido possui aproximadamente 502 quilômetros, ligando Feira de Santana (BA) a Salgueiro (PE), em um dos principais corredores logísticos de integração entre Nordeste, Sudeste e Sul do País.
O projeto prevê cerca de R$ 4,3 bilhões em investimentos (Capex), além de aproximadamente R$ 4,4 bilhões em custos operacionais (Opex) ao longo dos 30 anos de contrato. Entre as principais intervenções previstas estão:
- Duplicação de aproximadamente 108 km da BR-116;
- Implantação de vias marginais e faixas adicionais;
- Reforço de acostamentos;
- Construção de passarelas, dispositivos de segurança e paradas de ônibus;
- Recuperação e manutenção contínua do pavimento.
Na prática, trata-se de uma transformação relevante para um corredor estratégico de escoamento agrícola, industrial e logístico do Nordeste, com impacto direto sobre mobilidade, segurança viária e eficiência operacional da região.
Um leilão que vai além da concessão
A Rota dos Sertões faz parte do amplo pipeline de concessões rodoviárias do governo federal para 2026, considerado um dos maiores da história recente do setor.
A expectativa do Ministério dos Transportes é realizar entre 13 e 15 leilões federais neste ano, dentro de um programa que pode ultrapassar R$ 150 bilhões em investimentos projetados.
Mais importante do que os números é o que eles representam: o mercado de infraestrutura brasileiro está deixando de operar apenas em ciclos de obras isoladas e passando a funcionar em uma lógica contínua de corredores logísticos, eficiência operacional e gestão de ativos de longo prazo.
Oportunidade para toda a cadeia de infraestrutura
O edital já deixava claro que a futura concessionária precisaria mobilizar uma cadeia extensa de fornecedores, serviços e operações.
Projetos desse porte normalmente movimentam:
- Mineradoras e fornecedores de agregados;
- Usinas de asfalto e concreto;
- Empresas de terraplenagem e drenagem;
- Laboratórios de solo e pavimentação;
- Locação de máquinas e equipamentos;
- Sinalização viária e dispositivos de segurança;
- Empresas de conservação e manutenção rodoviária;
Existe um ponto importante que muitas empresas do setor já entenderam: grandes grupos de infraestrutura raramente executam tudo sozinhos.
Boa parte da operação acontece por meio de fornecedores regionais, empresas especializadas, apoio técnico, manutenção, logística, engenharia complementar e serviços operacionais distribuídos ao longo da concessão.
Para empresas que atuam nesse ecossistema — como engenharia, pavimentação, materiais, manutenção, sinalização, apoio operacional ou infraestrutura pesada — o movimento começa antes mesmo das obras ganharem escala.
O mercado passa a olhar para:
- Estrutura de fornecedores;
- Capacidade operacional;
- Histórico de execução;
- Presença regional;
- Confiabilidade técnica;
- Velocidade de mobilização.
- O que esse movimento sinaliza para o setor
A vitória do Consórcio 116 Sertões reforça também um movimento importante do mercado brasileiro: o retorno de grandes grupos de infraestrutura a projetos federais relevantes, acompanhado por fundos de investimento e estruturas financeiras cada vez mais sofisticadas — mesmo em um ambiente político e econômico ainda desafiador.
Para quem atua na infraestrutura, acompanhar esses movimentos deixou de ser apenas uma questão de informação. Passou a ser uma questão de posicionamento estratégico.
No fim do dia, o mercado começa a separar quem apenas observa o setor de quem realmente entende sua dinâmica operacional, econômica e estrutural.




